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Sony e Warner processam a Anthropic por letras usadas para treinar o Claude

A Sony Music Publishing e a Warner Chappell processaram a Anthropic em 28 de agosto de 2026, citando Dario Amodei pessoalmente e alegando livros baixados de forma pirata.

Por Tech AI Wire Team

3 min de leitura

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The Phillip Burton Federal Building in San Francisco, home of the district court where the publishers filed.

Em números

sought per work willfully infringed
$150K
books allegedly torrented from Library Genesis
5M
Anthropic's earlier settlement with authors
$1.5B

A Sony Music Publishing e a Warner Chappell processaram a Anthropic em 28 de agosto de 2026 no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia. As editoras afirmam que a Anthropic construiu o Claude em parte sobre letras de música que não tinha direito de usar. A ação também cita duas pessoas: o presidente-executivo Dario Amodei e o cofundador Benjamin Mann.

A Anthropic rejeita o caso. "We disagree with the publishers' claims and we intend to defend ourselves robustly in court", ou seja, discorda das alegações das editoras e pretende se defender com firmeza no tribunal, disse a empresa ao TechCrunch.

O que a ação alega

As editoras descrevem o que chamam de "brazen campaign of illegally torrenting, scraping, and downloading copyrighted works", uma campanha descarada de baixar por torrent, raspar e obter obras protegidas. A acusação se divide em dois caminhos distintos.

O primeiro é o torrent. Segundo o relato da ação feito pelo Music Business Worldwide, Mann usou o BitTorrent em junho de 2021 para baixar ao menos 5 milhões de livros piratas da Library Genesis. Funcionários da Anthropic teriam pegado cerca de 2 milhões a mais no Pirate Library Mirror em julho de 2022. Livros importam num caso de música porque trazem letras impressas e partituras.

O segundo é a raspagem. A ação diz que a Anthropic pegou letras de sites licenciados como MusixMatch e LyricFind sem permissão. Esses serviços pagam às editoras pelo direito de exibir aquelas palavras.

Há uma terceira alegação que os desenvolvedores deveriam notar. As editoras afirmam que a Anthropic removeu ou alterou informações de gestão de direitos autorais, ou seja, os dados de titularidade ligados a uma obra. Isso é uma violação separada da cópia, e traz seus próprios valores de indenização.

A ação cita materiais internos da própria Anthropic que descrevem a Library Genesis como "sketchy AF" e como uma "blatant violation of copyright", uma violação escancarada de direitos autorais.

O dinheiro em jogo

As editoras pedem indenização legal de até US$ 150 mil por cada obra violada de forma deliberada. Também buscam até US$ 25 mil por cada caso de informação de direitos removida.

O número de obras é onde os relatos divergem. O TechCrunch fala em 20 mil obras. O Music Business Worldwide cita a ação mencionando "tens of thousands", dezenas de milhares de composições. O Engadget descreve "thousands upon thousands". De todo modo, a conta chega à casa dos bilhões.

A Anthropic já passou por isso. Em setembro de 2025 ela fechou por US$ 1,5 bilhão um caso movido por autores, sobre o que a nova ação chama da mesma conduta de torrent. O Engadget observa que este é o segundo processo de editoras musicais contra a empresa, depois de Concord e Universal Music Group, que pediam US$ 3 bilhões.

A linha jurídica que este caso testa

O argumento não é que treinar com obras protegidas seja ilegal. Os tribunais têm se mostrado mais dispostos a aceitar o treino em si como uso justo. As editoras atacam a etapa anterior: como o material foi obtido.

Essa distinção é toda a briga. Baixar uma biblioteca pirata é um ato de violação por si só, independentemente do que se faça depois com os arquivos. O acordo de US$ 1,5 bilhão da Anthropic sugere que a via de obtenção é o terreno mais frágil, e as editoras miraram exatamente nela.

O que isso significa para os desenvolvedores

Procedência agora é requisito de construção, não nota de rodapé jurídica. Se você ajusta um modelo, mantenha registro de onde veio cada conjunto de dados e sob quais termos. A pergunta que um tribunal faz não é o que o seu modelo produz. É de onde vieram os arquivos de treino e se você tinha direito a eles.

Trate dados raspados de intermediários licenciados como material radioativo. MusixMatch e LyricFind pagam pelos seus direitos, e raspá-los não transfere esses direitos para você. O mesmo raciocínio vale para qualquer agregador que licencia conteúdo que não criou, incluindo bancos de imagens e código com licença restritiva.

Não remova metadados. A alegação sobre informação de gestão de direitos é a lição silenciosa aqui. Pipelines descartam a atribuição durante a limpeza por rotina, porque para um tokenizador aquilo é ruído. Esse hábito cria uma causa de ação separada, e é trivialmente evitável mantendo o registro de procedência ao lado do texto limpo.

A responsabilidade individual é a parte nova. Citar um presidente-executivo e um cofundador pessoalmente, por um download feito em 2021, muda o cálculo de risco para quem monta dados de treino dentro de uma empresa. "Mandaram eu pegar o corpus" é uma posição mais fraca do que parecia um ano atrás.

Fontes

  1. Sony Music, Warner sue Anthropic, alleging a "brazen campaign" of intellectual property theft - TechCrunch
  2. Sony and Warner sue Anthropic for 'blatant violation' of copyright law - Engadget
  3. Sony Music Publishing and Warner Chappell sue Anthropic in multi-billion dollar lawsuit - Music Business Worldwide

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