Rust agora é linguagem de nível 1 na Microsoft
A Microsoft tornou o Rust uma linguagem de nível 1 ao lado de C++, C# e TypeScript. Mais de 100 de seus repositórios já compilam código Rust.
3 min de leitura

Em números
- Microsoft repositories building Rust code
- 100+
- of Windows CVEs that are memory issues, per Mark Russinovich
- ~70%
- tier-1 languages at Microsoft: Rust, C++, C# and TypeScript
- 4
A Microsoft deu ao Rust o status interno de linguagem de nível 1, colocando-o em pé de igualdade com C++, C# e TypeScript. Victor Ciura, engenheiro principal da equipe de ferramentas Rust no grupo DevDiv/CoreAI da Microsoft, anunciou isso em um post de convidado no site da Rust Foundation publicado em 10 de setembro de 2026. Para os desenvolvedores de fora da Microsoft, o interessante não é o rótulo. É o trabalho de compilador que esse rótulo pagou.
"O Rust está entre C++, C# e TypeScript como uma das linguagens mais bem suportadas para o desenvolvimento interno na Microsoft", escreveu Ciura.
O que o nível 1 garante a uma linguagem na Microsoft
Nível 1 é um compromisso interno de engenharia, não uma categoria de marketing. Ciura listou o que isso obriga a Microsoft a oferecer às suas próprias equipes:
- Builds seguros e reproduzíveis da própria cadeia de ferramentas
- Ferramentas de desenvolvimento no patamar exigido para C++ e C#
- Fluxos de qualidade e de publicação
- Integração profunda com a plataforma Windows
- Conformidade com o Security Development Lifecycle da Microsoft
O argumento de segurança por trás disso é direto. Mark Russinovich, diretor de tecnologia do Azure na Microsoft, disse que "cerca de 70 por cento dos CVEs do Windows são problemas de memória", noticiou o The Register em 11 de setembro de 2026. A conclusão dele foi igualmente direta: "por mais que queiramos melhorar C e C++, não conseguimos deixá-los tão bons quanto aquilo de que o Rust já parte".
O rustc_codegen_utc liga o Rust ao MSVC
A peça técnica central é um backend de compilação chamado rustc_codegen_utc. Ele conecta o rustc, o compilador do Rust, diretamente ao UTC, o otimizador dentro da própria cadeia de ferramentas C++ da Microsoft. Ele pertence à mesma família do rustc_codegen_llvm, o backend que quase todo desenvolvedor Rust usa hoje.
O objetivo é unificar a geração de código no Windows. Um projeto que mistura Rust e C++ hoje executa dois otimizadores separados, com dois conjuntos de premissas. Passar ambos pelo UTC significa que um único otimizador enxerga o programa inteiro. "Esses investimentos se apoiam em uma base comum para C++ e Rust", escreveu Ciura, ou seja, o trabalho feito para o compilador C++ agora beneficia também o Rust.
Mais de 100 repositórios da Microsoft já compilam projetos mistos de Rust e C++ dessa forma, segundo o post da Rust Foundation.
Onde o Rust já roda na Microsoft
| Área | O que está escrito em Rust |
|---|---|
| Windows | Integração de plataforma, firmware, drivers, kernel, hipervisores |
| Microsoft 365 | Serviços do Outlook, Word, Excel, OneDrive e SharePoint |
| Renderização de texto | DirectWrite Core |
| Serviços | Construídos sobre o Oxidizer, o conjunto próprio de crates Rust da Microsoft para serviços escaláveis |
O Oxidizer é a coleção interna de crates que a Microsoft usa para construir serviços em Rust, e o The Register informa que o trabalho do Microsoft 365 citado acima foi construído sobre ele. O DirectWrite Core, a implementação de renderização de texto do Windows, foi descrito como um componente em Rust por Ciura no podcast Rust in Production, da corrode.dev, em abril de 2025.
O que isso significa para os desenvolvedores
Nada disso chega até você hoje. O rustc_codegen_utc é o backend interno da Microsoft, e nem o post da Rust Foundation nem o The Register dizem que ele será publicado ou incorporado ao rustc.
Ainda assim, vale acompanhar, por um motivo específico. O Rust teve, na prática, um único gerador de código de produção durante toda a sua vida: o LLVM. Backends alternativos como rustc_codegen_gcc e rustc_codegen_cranelift existem, mas não carregam nada parecido com a carga do Windows. Um segundo backend sob pressão real de produção costuma expor os pontos em que a linguagem assumiu silenciosamente o comportamento do LLVM. Essas correções normalmente chegam ao upstream, sendo o backend publicado ou não.
Se você distribui uma biblioteca para Windows, o caso a considerar é o de linguagens misturadas. Hoje uma base de código com Rust e C++ paga por duas cadeias de ferramentas e dois otimizadores, e o inlining entre linguagens não acontece. A Microsoft está resolvendo isso internamente. Não há cronograma público para que mais alguém receba a solução.
Para todos os demais, o sinal é sobre contratação e longevidade, não sobre sintaxe. O status de nível 1 significa que a Microsoft comprometeu orçamento de manutenção, e não apenas entusiasmo, com o trabalho na cadeia de ferramentas do Rust. É esse compromisso que mantém uma linguagem viável ao longo de uma década. A mesma aposta aparece em outro ponto do software de sistemas neste mês. O autor do linker mold está reescrevendo-o de C++ para Rust, com a meta de se tornar o linker padrão do Linux.
Fontes
- Guest Post: Rust Is Tier-1 Language at Microsoft - Rust Foundation
- Microsoft annoints Rust as a 'Tier 1' internal language - The Register
- Rust in Production S04E01: Microsoft with Victor Ciura - corrode.dev
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